Vídeo: Mãe de Marcos Vinicius, menino assassinado de uniforme na Maré, numa fala emocionante a Rodrigo Maia

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FORUM – Nesta quarta-feira (9), várias mães que tiveram os filhos mortos em operações policiais compareceram a uma reunião na Câmara dos Deputados com o presidente da Casa, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ). O objetivo foi debater o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça, Sério Moro. Entre elas, esteve Bruna da Silva, mãe do menino Marcos Vinícius, que morreu em junho de 2018, aos 14 anos, a caminho da escola no Complexo da Maré.

“Não dá para a gente cruzar os braços e deixar que o Estado entre, nos mate e fique por isso mesmo. O Estado tem que ser responsável por essas mortes. Tem que haver investigação, eles têm que cumprir pena”, declarou Bruna, da Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado. “O sangue que jorra é o sengue do pobre, não é o do nobre. Essa lei anticrime é criminosa”, completou.

“Com a aprovação deste pacote criminoso, vai ficar ruim pra gente. Já está ruim. […] A excludência de ilicitude, será que essa casa está pronta para aprovar isso? Porque se essa casa estiver pronta, vai ser muito sangue derramado e vai ser aqui que a gente vai vir cobrar. Se é a casa do povo, por que só sai lei que nos prejudica lá fora?”, disse ainda.

“Quando tem operação na comunidade nós somos obrigados a sair das nossas casas e ir para rua, porque se a gente estiver dentro de casa a gente vai sofrer. Sofrer por quê? Se essa guerra não é nossa por que esse reflexo respinga na gente? Eu perdi meu primogênito, meu lado alegre, o meu filho estava doido para ter barba no rosto, o meu filho não acreditou em quem deu aquele tiro”, destaca, emocionada. Ela ainda conta que Marcos mudou a cor da mochila para “não ser confundido”, mas mesmo assim foi alvejado enquanto usava uma mochila abóbora e uniforme escolar.

Reivindicações

Maia disse que pretende repassar essas reivindicações para o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), que estava presente à reunião, e pautar uma “ponto de equilíbrio” no projeto do governo Bolsonaro. “Vamos respeitar a legitimidade do presidente, mas mostrando a ele que, em alguns temas, a gente precisa ter um ponto de equilíbrio, para que possamos avançar e que esse avanço não seja à custa de vidas de nossas crianças. A gente sabe que nada recupera a perda de um filho”, disse.