Sai a 1ª tolice do Planalto após a prisão de suspeitos da Morte de Marielle

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REINALDO AZEVEDO =A Polícia do Rio, em operação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prendeu dois suspeitos da morte da vereadora Marielle Franco (PSL-RJ), que completa um mês daqui a dois dias. E já saiu do Palácio do Planalto a primeira bobagem sobre o assunto. Esse governo tem uma vocação para o erro. E, às vezes, o dito-cujo é praticado por quem deveria estar especialmente comprometido com o acerto. Não me refiro, claro!, a Jair Bolsonaro. Sim, ele, mais do que ninguém, deveria escolher o bom caminho. Mas já perdi as esperanças. Refiro-me, no caso, ao general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional). Já chego lá. Antes, ao fato objetivo, já de todos conhecido.

Foram presos nesta amanhã, denunciados como autores do assassinato, o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. As prisões se deram no âmbito da Operação Lume. Segundo a denúncia, Lessa é o autor dos disparos que matou Marielle e o motorista Anderson Gomes, e Queiroz dirigia o carro.

Lessa mora numa num condomínio que fica na Avenida Lúcio Costa 3100, Posto 4 da Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. É um endereço famoso. O proprietário mais ilustre do lugar, a três casas do suposto assassino, é o presidente Jair Bolsonaro. O imóvel serviu como uma espécie de QG de campanha. Ali ele recebeu políticos das mais diversas colorações. Foi o local do encontro com John Bolton, por exemplo, assessor especial de Segurança Nacional da Casa Branca.

Lessa era vizinho de Bolsonaro, e Queiroz é um de seus dedicados fãs. Frequenta as páginas ligadas ao presidente e tem foto ao lado do “Mito”. Sim, até aí, vamos convir, muita gente tem. Nem a vizinhança de um nem as manifestações de apreço do outro indicam, em princípio, uma vinculação do presidente ou de familiares seus com o assassinato. Mas dá para fazer aqui uma especulação de como estariam os fiéis do bolsonarismo se um figurão petista aparecesse ao lado de um dos acusados de um assassinato político e morasse no mesmo condomínio do outro.  Mas vamos combinar que os padrões de moralidade desses sectários não deve servir de modelo para ninguém. Menos ainda para os que se opõem ao brutalismo da turma.

qual é a bobagem? Afirmou Heleno: “Todos nós estamos esperando uma resposta, não só deste caso, como da facada em Jair Bolsonaro”..

É o tipo de coisa que não deve ser dita. Não na mesma frase. Porque aí se criam dois campos, como se fossem relacionados porque opostos: de um lado, o atentado fatal a Marielle; de outro, o ataque ao então candidato Bolsonaro. De um lado, uma representante da esquerda; do outro, um da direita; de um lado, então, assassinos a serviço da direita; do outro, da esquerda…  De um lado, pois, o interesse de esconder o mandante da agressão a Bolsonaro; do outro, o de acoitar os assassinos de Marielle. Só que o presidente é de direita, não? E aí resta a sugestão de que a morte da vereadora era, então, do interesse do seu campo ideológico, como a do agora presidente seria do interesse do campo ideológico dos seus adversários.

Há mais: a Polícia Federal já virou do avesso a vida de Adélio Bispo de Oliveira e não conseguiu ligá-lo a nenhuma causa política, a um grupo. General Heleno acha que a Polícia Federal faz corpo mole? Mas, de novo, pode-se imaginar como estariam as milícias virtuais de Bolsonaro se Adélio tivesse uma casa no condomínio em que mora, sei lá, o deputado federal Marcelo Freixo, do PSOL, ou algum petista graúdo. Ou, ainda, se uma filha sua tivesse sido namorada de uma filha de um medalhão da esquerda.