Nova versão de Bolsonaro sobre Fabrício Queiroz: “eu sei que ele fazia rolo”

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Em um de seus primeiros decretos presidenciais, Bolsonaro reformulou a estrutura do Coaf – órgão que rastreou e divulgou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de Queiroz – e impôs censura, proibindo servidores e até o presidente do órgão de comentar processos

Em entrevista exibida pelo SBT na noite desta quinta-feira (3), Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que sabia que o assessor do filho Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz, “fazia rolo”. Em entrevista ao mesmo SBT, dias atrás, Queiroz justificou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em um ano em suas contas, detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), como resultado da compra e venda de carros.

Em um de seus primeiros decretos presidenciais, Bolsonaro reformulou a estrutura do Coaf e impôs censura, proibindo servidores e até o presidente do órgão de comentar processos.

Amigos de longa data, Bolsonaro disse que se manterá afastado de Queiroz até que o caso seja resolvido. “Até que ele prove o contrário, não pretendo conversar com ele. Até porque, se eu for conversar com ele, vão falar que eu estou tentando aconselha-lo de uma coisa ou de outra. Não quero contato com ele até que isso venha a ser esclarecido”.

“Ele falou que vendia carros, eu sei que ele fazia rolo. Agora, quem vai ter que responder é ele. O Coaf fala em movimentação atípica, isso não quer dizer que seja ilegal, irregular. Pode ser”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro diz que quebra de sigilo de Queiroz foi ilegal

Queiroz, que trabalhou como assessor e motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é alvo de uma  investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro por uma movimentação atípica em sua conta de R$1,2 milhões. Para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os valores são incompatíveis com seu salário e patrimônios. Deste valor, R$24 mil foram depositados para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Questionado na entrevista sobre o assunto, Bolsonaro afirmou que a quebra de sigilo bancário de Queiroz foi ilegal. “Falando aqui claro, quebraram o sigilo bancário dele sem autorização judicial. Cometeram um erro gravíssimo. E outra: a potencialização em cima dele e do meu filho foi para me atingir. Está mais do que claro isso daí também”, disse.

A entrevista foi concedida na mesma emissora que Queiroz escolheu, na semana passada, para dar explicações sobre a movimentação. Ele afirmou que o valor faz parte de um negócio de venda de carros. À Justiça, no entanto, o ex-assessor ainda não se explicou, alegando problemas de saúde.