Miss Bumbum e a bunda para exportação

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Lá pelos anos 60, feministas se revoltavam contra o então tradicionalíssimo concurso de Miss. Afinal, as moças eram tratadas como objeto com seus desfiles de maiô e suas polegadas medidas como se elas fossem bichos. Ok. Isso é coisa do passado e as Misses viraram seres ingênuos.

Vieram as top models, as modelos anoréxicas e, agora, a nova febre do Brasil, o concurso Miss Bumbum.

A final do evento de 2013 acontece mês que vem em São Paulo, mas as moças concorrentes já ocupam espaço com destaque em homes de portais e jornais por mostrarem a bunda.

Simples assim. Quer dizer, não tão simples. A bunda é malhada, trabalhada, siliconizada, sabe-se lá.

A imagem das meninas (quer dizer, da bunda delas) em uma partida de futebol-evento pré concurso rodou o Brasil semana passada. Elas posaram com as bundas (enormes) empinadas. E a cara delas? Não importa.

E o nome? Também não. Se elas leram o Pequeno Príncipe? Quem quer saber? O produto vendido pelo concurso é claro como o nome da premiação: a bunda.

Cada um faz o que quer com o próprio corpo. Mas não deixa de ser muito bizarro (e triste) ver a bunda sendo usada de novo como cartão postal das meninas e do Brasil.

O site do concurso tem versão em todas as línguas que você pode imaginar. E o concurso é noticia em vários jornais do mundo com títulos esquisitos do estilo: “Concurso escolhe o melhor traseiro do Brasil”.

O Brasil exporta bunda, lembram? Mas ainda? Esse estereótipo não tinha mudado? Que nada. As mulheres frutas se multiplicaram e deu nisso: um monte de bunda sem nome (nem de fruta) exposta em açougues para todo mundo ver.

O concurso Miss Bumbum é um sucesso tão grande que foi exportado para os EUA.

Sim, existe uma versão do concurso em Miami, só com participantes brasileiras que moram no país e jurados ganham cachês milionários para participar do concurso. Pamela Anderson chegou a ser cogitada ano passado para vir ao Brasil só para isso.

Isso tudo acontece na hora em que o Brasil é famoso por ter uma mulher presidenta (escrevo da Alemanha e todas as pessoas que encontrei aqui me perguntaram sobre Dilma Roussef, para os alemães tão poderosa como Angela Merckel) e o número de mulheres empreendedoras é recorde (quase 50%).

As moças do Brasil nunca estiveram tanto no comando.

Mesmo assim, continuamos vendendo bunda como se fosse banana. Ver as fotos das moças com suas bundas gigantes pode ser engraçado. Mas será que tem graça mesmo? Nossas bundas estão á venda? Esse ainda é um patrimônio brasileiro? Avança, mundo! As moças do Brasil merecem mais.

Fonte – Blog da Nina Lemos

Foto – Agência Estado

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