“Mesmo armado me senti indefeso”: o melhor argumento contra as armas é de Bolsonaro. Por Kiko Nogueira

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O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse nesta terça, dia 8, que na próxima semana o decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo deve estar pronto.

O assunto foi tratado por Bolsonaro em reunião ministerial.

Segundo Onyx, “o presidente chamou a atenção para algo muito importante, que era de que todos aqueles compromissos de campanha que ele assumiu as ruas do Brasil, que nós, os ministros, tínhamos a tarefa de materializar”.  

O decreto diz respeito à posse, que permite ao cidadão ter a arma em casa ou no local de trabalho. Já o porte se refere à circulação dela fora de casa ou do trabalho. 

Em sua hiperatividade no Twitter, onde mora, Bolsonaro recomendou uma “reflexão” de um padre arqui-reacionário sobre o assunto.

Essa bandeira bolsonarista é antiga e os garotos de Jair também são apaixonados por um cano fumegante.

Eduardo postou um vídeo patético praticando tiro ao alvo. “Não existe preparo para um tiroteio, existe treinar para reduzir os riscos”, escreveu na legenda.

O melhor testemunho sobre a estupidez dessa obsessão vem do próprio Jair, numa notícia que volta e meia reaparece.

Foi veiculada no dia 5 de julho de 1995 na falecida Tribuna da Imprensa, do Rio.

O então deputado federal foi assaltado por dois bandidos que acabaram levando sua motocicleta e a pistola Glock calibre 380 que carregava debaixo da jaqueta.

Eles eram jovens e aparentavam ser de classe média, contou.

“Mesmo armado me senti indefeso”, declarou Bolsonaro.

Filosoficamente, talvez tenha sido o melhor momento do capitão, um testemunho sobre a inutilidade da violência.

Claro que foi um lapso que ele não percebeu (“fazer-se de idiota será sempre uma função da filosofia”, escreveu Gilles Deleuze).

Num Roda Viva do ano passado, ele lembrou do caso.

“Dois dias depois, juntamente com o 9º Batalhão da Polícia Militar, nós recuperamos a arma e a motocicleta e por coincidência — não é? — o dono da favela lá de Acari, onde foi pega… foi pego lá, lá estava lá, ele apareceu morto, um tempo depois, rápido.”

Continuou: “Não matei ninguém, não fui atrás de ninguém, mas aconteceu”.

Esse é o bangue bangue que Jair quer para o Brasil.

Ser covarde tendo costas quentes e amigos policiais (como o Queiroz) ou milicianos a vida fica mais fácil.