Marcelo Ramos, o bom julgador

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*Por Hiel Levy

Marcelo Ramos fez sucesso na eleição do ano passado. Teve quase 180 mil votos e provocou o segundo turno. Foi, sem dúvida, um dos vetores que ajudou na reeleição do governador José Melo – os outros o Fantástico deste domingo deve elucidar.

O jovem político desponta hoje como uma promessa para os próximos embates eleitorais e se movimenta neste sentido.

Há traços na personalidade de Marcelo, entretanto, que merecem uma análise mais objetiva.

Vamos reviver a história.

Marcelo Ramos surgiu para a política nas fileiras do PC do B, assim como tantos outros políticos de destaque que já escreveram o próprio nome na história do Estado – vide Omar Aziz, João Pedro, George Tasso, entre outros.

Jovem advogado, bom orador, foi lançado pelos comunistas para concorrer à Câmara Municipal de Manaus em 2004 e logrou êxito. Destacou-se imediatamente em meio à mediocridade reinante em sua volta.

Foi aí que começou a surgir um traço bastante nítido de sua personalidade: a ambição. Marcelo aproximou-se do então prefeito Serafim Corrêa, percebeu que poderia ocupar um lugar de destaque na administração deste e passou a cavar esta posição, o que o desgastou com a cúpula de seu partido, que fazia oposição ao chefe do Executivo Municipal.

O casal de líderes comunistas Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin passou de benfeitor do jovem promissor a seu algoz. Marcelo mobilizou a mídia contra eles, se dizendo perseguido internamente. Arrumou o pretexto perfeito para abandonar a legenda que o elegeu e embarcar de mala e cuia na canoa de Serafim, que o nomeou presidente da Empresa Municipal de Transportes Urbanos, – atual SMTU – e o filiou ao PSB.

No cargo, não fez nada de relevante. Anunciou uma licitação para renovar o sistema de transporte da cidade e criou um consórcio, que anunciava como a redenção do setor, mas que na verdade se mostrou apenas uma grande farsa. Os mesmos empresários de antes continuaram atuando. Mudaram apenas o nome das próprias empresas. Nada de novo. O povo continuou andando em ônibus lotados, a maioria com muita rodagem, as paradas e terminais continuaram cheios e os tubarões cada vez mais ricos.

Mas Marcelo, o nosso herói, usou bem a exposição que o cargo lhe deu e os contatos que fez, tanto que, em 2010, elegeu-se deputado estadual.

No novo mandato, a habitual competência para esgrimar palavras se mostrou mais afiada do que nunca. Marcelo novamente aproveitou a mediocridade reinante e se estabeleceu, apesar de fazer uma oposição “meia boca” ao governador Omar Aziz, com quem vez por outra trocava uma ideia, longe dos holofotes.

A ambição mais uma vez o impulsionou para uma empreitada de sucesso. Já um tanto desgastado no PSB, onde não via mais perspectiva de futuro, lançou-se inteligentemente candidato a governador, deixando o caminho aberto para que Serafim Corrêa escolhesse o cargo legislativo que quisesse disputar e garantindo o apoio do partido à sua “aventura”.

Agora, alçado ao pedestal, articula-se para sair do PSB, já tratando Serafim e companhia como passado. Não tem tempo a perder o nosso herói. Flerta com Artur Neto e José Melo, os donos do poder, faz incursões no proletariado, sempre com uma câmera à mão, e não perde a chance de fustigar os adversários.

Não gostou que eu tenha publicado o áudio em que elogia Eduardo Braga, o nome que ele escolheu como principal adversário. E me julgou por isso. Assim como julgou e condenou Eron, Vanessa, Serafim e todos os que se atreveram a contestá-lo ou ousaram atrapalhar sua caminhada ao Olimpo.

É um bom julgador esse Marcelo. E todo bom julgador por si julga os outros, como dizia minha amada e saudosa mãe.

Como estou condenado, me resta pedir perdão ao meu algoz pelo mau jeito. Desculpe, Marcelo, se o atrapalhei nas articulações. Desculpe se joguei luz sobre seus movimentos nos bastidores. E sobretudo me desculpe por tudo o que ainda farei para mostrar quem você é de verdade.

Marcelo Ramos fez sucesso na eleição do ano passado. Teve quase 180 mil votos e provocou o segundo turno. Foi, sem dúvida, um dos vetores que ajudou na reeleição do governador José Melo – os outros o Fantástico deste domingo deve elucidar.

O jovem político desponta hoje como uma promessa para os próximos embates eleitorais e se movimenta neste sentido.

Há traços na personalidade de Marcelo, entretanto, que merecem uma análise mais objetiva.

Vamos reviver a história.

Marcelo Ramos surgiu para a política nas fileiras do PC do B, assim como tantos outros políticos de destaque que já escreveram o próprio nome na história do Estado – vide Omar Aziz, João Pedro, George Tasso, entre outros.

Jovem advogado, bom orador, foi lançado pelos comunistas para concorrer à Câmara Municipal de Manaus em 2004 e logrou êxito. Destacou-se imediatamente em meio à mediocridade reinante em sua volta.

Foi aí que começou a surgir um traço bastante nítido de sua personalidade: a ambição. Marcelo aproximou-se do então prefeito Serafim Corrêa, percebeu que poderia ocupar um lugar de destaque na administração deste e passou a cavar esta posição, o que o desgastou com a cúpula de seu partido, que fazia oposição ao chefe do Executivo Municipal.

O casal de líderes comunistas Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin passou de benfeitor do jovem promissor a seu algoz. Marcelo mobilizou a mídia contra eles, se dizendo perseguido internamente. Arrumou o pretexto perfeito para abandonar a legenda que o elegeu e embarcar de mala e cuia na canoa de Serafim, que o nomeou presidente da Empresa Municipal de Transportes Urbanos, – atual SMTU – e o filiou ao PSB.

No cargo, não fez nada de relevante. Anunciou uma licitação para renovar o sistema de transporte da cidade e criou um consórcio, que anunciava como a redenção do setor, mas que na verdade se mostrou apenas uma grande farsa. Os mesmos empresários de antes continuaram atuando. Mudaram apenas o nome das próprias empresas. Nada de novo. O povo continuou andando em ônibus lotados, a maioria com muita rodagem, as paradas e terminais continuaram cheios e os tubarões cada vez mais ricos.

Mas Marcelo, o nosso herói, usou bem a exposição que o cargo lhe deu e os contatos que fez, tanto que, em 2010, elegeu-se deputado estadual.

No novo mandato, a habitual competência para esgrimar palavras se mostrou mais afiada do que nunca. Marcelo novamente aproveitou a mediocridade reinante e se estabeleceu, apesar de fazer uma oposição “meia boca” ao governador Omar Aziz, com quem vez por outra trocava uma ideia, longe dos holofotes.

A ambição mais uma vez o impulsionou para uma empreitada de sucesso. Já um tanto desgastado no PSB, onde não via mais perspectiva de futuro, lançou-se inteligentemente candidato a governador, deixando o caminho aberto para que Serafim Corrêa escolhesse o cargo legislativo que quisesse disputar e garantindo o apoio do partido à sua “aventura”.

Agora, alçado ao pedestal, articula-se para sair do PSB, já tratando Serafim e companhia como passado. Não tem tempo a perder o nosso herói. Flerta com Artur Neto e José Melo, os donos do poder, faz incursões no proletariado, sempre com uma câmera à mão, e não perde a chance de fustigar os adversários.

Não gostou que eu tenha publicado o áudio em que elogia Eduardo Braga, o nome que ele escolheu como principal adversário. E me julgou por isso. Assim como julgou e condenou Eron, Vanessa, Serafim e todos os que se atreveram a contestá-lo ou ousaram atrapalhar sua caminhada ao Olimpo.

É um bom julgador esse Marcelo. E todo bom julgador por si julga os outros, como dizia minha amada e saudosa mãe.

Como estou condenado, me resta pedir perdão ao meu algoz pelo mau jeito. Desculpe, Marcelo, se o atrapalhei nas articulações. Desculpe se joguei luz sobre seus movimentos nos bastidores. E sobretudo me desculpe por tudo o que ainda farei para mostrar quem você é de verdade.

*Hiel Levy é jornalista profissional