Juíza que suspendeu retirada de radares relata ameaças

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247 – Responsável pela ação que questiona a retirada de radares das rodovias federais pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a juíza da 5ª Vara Federal em Brasília Diana Wanderlei relatou ameaças e ofensas nas redes sociais. A magistrada informou que acionou o Ministério Público Federal para investigar o que considerou ofensas, injúrias e calúnias decorrentes da decisão liminar (provisória) que proferiu em 10 de abril. Os relatos foram publicados no jornal Folha de S.Paulo. r

“Essa vagabunda ta caçando jeito de amanhecer com a boca cheia de formiga!”, disse um internauta no último dia 4.

Outra pessoa escreveu, em 12 de abril: “Bunitinha mas ordinaria [sic]. Só pode ser. Para dar uma decisão deste tipo. Esquerdopata com certeza!”, escreveu outro, em 12 de abril, em uma rede social.

“A empresa de radares deve ser do pai dela. Mas, agora com a carinha dela no Twitter, eu teria medo, heim?”, publicou outro usuário. “Mais uma corrupta inimiga do Brasil”, disse outro.

A juíza disse ao jornal paulista que não vai se intimidar. “Aqui, eu decido da forma que eu acho que deva ser decidido o caso concreto, mas se lamenta o nível de politização de um assunto tão relevante para a sociedade”, afirmou.

“Politizaram algo que é técnico, e a função deste juízo é técnica. Eu sou uma magistrada concursada, atuo com responsabilidade, já peguei causas de grande complexidade e consegui solucionar com bons acordos, inclusive. Não pode ser confundido o direito de criticar —a decisão do juiz é passível de críticas— com as ofensas. Essas ofensas, agressões e ameaças são crimes”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro cancelou a instalação de novos radares e informou que irá “rever” a necessidade de aparelhos já em operação nas rodovias federais, o que significará praticamente o fim da rede ainda existente. De acordo com dados divulgados pelo jornal O Globo, em abril,o sistema de fiscalização eletrônica encolheu de 5,5 mil pontos ativos, em julho de 2018, para cerca de 440 até março deste ano, ao longo dos 52 mil quilômetros de vias administradas pela União.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) reforçou que a presença dos radares contribuiu para redução de 24,7% no número de mortes nas vias federais entre 2010, quando o governo implantou o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade, e 2016. A quantidade de óbitos caiu de 7.083 para 5.333 óbitos no período.

Vale ressaltar que a medida pode prejudicar o pacto firmado pelo brasil com a Organização das Nações Unidas (ONU) no âmbito da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, de reduzir em 50% os acidentes de trânsito entre os anos de 2011 a 2020.