14 Setembro 2011
Foram mais de duas horas de leitura ininterruptas. Dezenas de laudas manuseadas e uma platéia inquieta, que não parava de olhar o relógio. Do oposto da platéia, Afrânio Pereira Junior, ex-prefeito de Manacapuru e vereador cassado dia 09, sexta-feira, por um tribunal federal, por improbidade administrativa, aguardava calado, mas impaciente, o momento de falar à CPI da Transparência de Manacapuru, que apura o desvio de mais de R$ 35 milhões dos cofres públicos do município no período de 2005 a 2009.
Afrânio, assim como a impaciente platéia, além da turma do barulho, contratada pelo ex-prefeito para aplaudi-lo quando lhe fosse concedida a palavra, ouviram do início ao fim a leitura do relatório, conduzida pelo relator da CPI, vereador Moisés Aguiar, o que jamais se ouviu falar ao longo de toda a história política do município.
As condenações são incontáveis, as multas e glosas, aplicadas ao ex-prefeito pelas diferentes esferas administrativas do serviço público, impossível descrevê-las. A impressão passada aos espectadores foi a de que Afrânio não teve tempo para cuidar do município, mas tão somente para chafurdar no lamaçal da corrupção que culminou com a cassação de seu mandato.
Ao final da leitura do relatório que, de acordo com a praxe parlamentar, daria início às indagações, o relator da comissão, Moises Aguiar, assim como os demais membros da CPI, disseram que não tinham perguntas a fazer ao ex-prefeito Afrânio Pereira. “Tudo o que poderia perguntar foi declarado pelos órgãos públicos neste farto relatório”, concluía Moisés Aguiar.
Diante do inusitado, o presidente da Comissão, vereador Coelho, pediu para que Afrânio fizesse suas considerações finais. Pra quê. O homem virou fera e fera ferida e humilhada.
Nos seus respeitáveis 160 quilos e 1,80 metros de altura, Afrânio gritou, esperneou, cuspiu para todos os lados, chamou a todos de covardes e levantou-se proferindo o seguinte impropério: “Essa é uma CPI de merda, uma CPI de merda”, repetia docemente enquanto deixava o plenário.
Nesta quarta-feira, dia 14, serão ouvidos o ex-prefeito Washington Régis e o ex-presidente da Câmara Municipal, Jaziel Nunes Tororó.











Comentários
Antigamente os homens honravam as calças que vestiam,hoje em dia,nem os bigodes que tem.Escandalos vergonhosos...
Por favor Sr.Afrânio,se ainda restar dignidade,pague sua contas.
Foca da Amazônia.