29 Dezembro 2011
O peso das sucessivas e contínuas denúncias de corrupção tem provocado um fenômeno facilmente explicável pelas leis da física.
Os ministros caem como frutas maduras, diante da impossibilidade de sustentação nos respectivos galhos da frondosa árvore que estende sua sombra amiga na vastidão do Planalto Central desta terra dadivosa.
O problema atingiu dimensões insuportáveis e parece que os melhores quadros da ABIN foram chamados para a elaboração de estudos a respeito do quadro caótico, buscando-se uma solução que, pelo menos, resguarde as aparências.
Os arapongas oficiais meteram mãos à obra. Corrijo: mentes ao trabalho, que, afinal de contas, herdeiros do mal- afamado SNI, é preciso demonstrar toda a criatividade do mundo para justificar o impossível. É certo que um deles, num rasgo de bom senso (as generalizações são sempre perigosas), opinou de forma singela que os tombos ministeriais poderiam ter um fim bem simples e descomplicado.
Bastaria evitar o envolvimento em qualquer esquema que, de longe, cheirasse a bandalha. Restou vencido.
O PT, cadinho gerador de toda a força motriz do governo, não poderia aquiescer com solução tão simplória e que, acima de tudo, poderia deixar manchas indeléveis na bandeira de moralidade com que a agremiação conquistou a preferência do povo brasileiro. Já lá se vão alguns anos, é certo.
Afastado o singelo, partiu-se em busca da sofisticação técnica. Os acalorados debates que se travaram não deverão constar dos registros oficiais da História.
A matéria, enfim, está ligada à própria segurança nacional e seria temerário permitir que olhares profanos pudessem devassar as profundezas de raciocínio e as sutilezas das elucubrações sherloquianas com que o assunto foi tratado.
Como a Agência engloba profissionais de todos os ramos do conhecimento, a proposta final foi uma mistura da mais avançada física (quântica e nuclear) com o refinamento mais aristocrático do pensamento jurídico moderno. Coisa de fazer inveja a Einstein e a Ulpiano.
Tudo estará resolvido com o envio ao Congresso, por parte do Governo, de um projeto com apenas dois artigos: “1º. – Fica revogada a lei da gravidade. 2º. – Esta lei entrará em vigor na data da sua publicação”.
Pronto. Não mais quedas nem surpresas. Nem mesmo escorregões. Por maior que seja o peso na consciência ou no bolso de um ministro, sem a atração gravitacional estará ele firme e seguro no seu galho, infenso a quaisquer rumores maledicentes e preconceituosos que insistem em ver num simples enriquecimento rápido o sintoma de alguma coisa ruim. Coisas da mídia.
Já se vê, portanto, que 2012 promete surpresas muito agradáveis e que não se resumirão aos Jogos Olímpicos de Londres.
Destes, ao contrário, pouca coisa temos a esperar, a não ser mais uma vexatória derrota da seleção de futebol e uma posição medíocre no quadro geral de medalhas. O Bolsa Atleta ainda não começou a dar seus frutos.
As novidades virão mesmo no campo da política, onde, superadas as quedas ministeriais, os esforços do governo se poderão concentrar na ampliação do assistencialismo barato e demagógico, enquanto a educação pública chafurda em patamares impensáveis.
É possível, também, que se venha a ler na seção de obituários o seguinte registro (os antigos entenderão a linguagem):
“Vítima de pertinaz corrupção, que zombou de todos recursos da moralidade e da ética, faleceu, no Palácio do Planalto, o PT. O sepultamento ocorrerá nas próximas eleições, saindo o féretro do local onde se verificou o óbito para o cemitério do esquecimento”.
Feliz Ano Novo.











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